Editorial

Em sua quarta edição, a Carteira Estudante do programa Rumos Itaú Cultural – Jornalismo Cultural propõe que os 12 estudantes de Comunicação Social selecionados de vários estados do Brasil produzam reportagens para a editoria de cultura sobre o mundo contemporâneo. As pautas formam, juntas, um mosaico bastante complexo do que é a cultura do século XXI, tratando de uma forma particularmente singular de temas como a web (especialmente redes sociais), telefonia celular (principalmente a mobilidade na produção artística e jornalística) e colaboração (destacando os coletivos de produção de arte).

O editor José Castello conduz sua redação virtual discutindo as pautas com os universitários Allana Meirelles, da UFJF (Juiz de Fora/MG), Amanda Cotrim, da PUC-Camp (Campinas/SP), Amy Loren, da UFMA (São Luís/MA), Antonio Laudenir, da FaC (Fortaleza/CE), Bárbara Altivo, da UFMG (Belo Horizonte/MG), Bárbara Pustai, da PUC-RS (Porto Alegre/RS), Carolina Fasolo da UFMS (Campo Grande/MS), Guilherme Magalhães, da UFPR (Curitiba/PR), Karen Araujo, Luiza Miguez e Saulo Pereira Guimarães, o trio da UFRJ (Rio de Janeiro/RJ) além de Cíntia Carvalho, da FaCamP (Campo Limpo Paulista/SP), que viria a se desligar do programa antes de seu término e consequente publicação de sua reportagem.

Allana Meirelles produz matéria para webTV sobre vídeos feitos pelo celular que disputam festivais e fotos igualmente produzidas pelo telefone móvel que ganham status de obra de arte e são expostas em galerias.

Amanda Cotrim volta ao passado para tratar do presente. Sua reportagem para web rádio mostra como a escritora Hilda Hilst (1930-2004) vivia e escrevia à frente de seu tempo. Curiosamente, em sua apuração, a selecionada percebe que jovens tem descoberto a autora por meio da internet, especialmente pelo twitter, tornando-se ávidos leitores.

Amy Loren faz reportagem para web rádio sobre uma rede social que extrapola o mundo virtual e vive em tempo presencial na Rede Imaginautas, do “arteducomunicador“ pernambucano Ghuga Távora.

Antonio Laudenir “caça” colecionadores de arte bastante incomuns para sua reportagem em mídia que prioriza o texto (não, não chamemos mais de mídia impressa – afinal, o relato noticioso já vai direto para a web, sem passar pela gráfica). Ao dissecar o projeto de artes visuais 13 obras que você não colocaria na sala de sua casa, ele se vê em meio a uma verdadeira caçada por telas mais do que estranhas pelas ruas de Fortaleza, a partir de dicas na fan page do coletivo no Facebook e no Google Maps.

Já Bárbara Altivo não tem a internet como meio, mas como fim, em sua reportagem que também prioriza o texto. A repórter retrata projetos de arte urbana como o Travessão – Coletivos em Conversa, que promove a formação de coletivos de artistas (amadores ou não) para produzir obras de arte expostas nas traseiras dos ônibus coletivos de Belo Horizonte.

Bárbara Pustai opta por um blog no qual trata das tendências do jornalismo contemporâneo e suas formas nada ortodoxas de difundir informação: o Newsgame e o JQ – Jornalismo em Quadrinhos. Duas narrativas jornalísticas que vem quebrando os paradigmas da arte de informar, entretendo os consumidores de notícia ao mesmo tempo em que divulga conhecimento.

Carolina Fasolo usa a web TV para reportar o projeto Memórias do Futuro, por meio do qual crianças e adolescentes de diferentes comunidades do Mato Grosso do Sul (indígenas, quilombolas, ribeirinhos e urbanos) recebem capacitação em novas mídias, para pesquisar, documentar, registrar e divulgar – via celular, certamente, a mídia mais barata e criativa de registros audiovisuais que se tem notícia no mundo portátil de hoje – as brincadeiras e hábitos de crianças.

Guilherme Magalhães fala, em sua reportagem que prioriza texto, do livro do futuro. Apura que o e-book já está quase superado e que a aposta das editoras – basicamente americanas, mas que aos poucos chega ao Brasil e ao mercado editorial europeu – está no enhanced book (“livro reforçado” em tradução livre), em cujas páginas virtuais figuram textos – sim, sempre o texto, em qualquer mídia, de ontem, de hoje e de amanhã, ainda bem! – ilustrados por vídeos, áudios, fotos e gráficos em movimento que deixariam qualquer bruxo de Hogwarts de boca aberta e varinha ao chão.

Karen Araujo também usa a mídia que prioriza texto para contar a saga do crowdfunding, financiamento coletivo de projetos culturais via internet que transforma a platéia em investidores. É a velha vaquinha travestida de patrocinadora de shows, CDs, vídeos e toda sorte de produtos, provando que a economia da cultura está firme e forte, mantendo a indústria cultural saudável como nunca.

Luiza Miguez é outra que prioriza o texto ao apresentar quem integra a novíssima geração da literatura: não são mais escritores de um computador só, mas os chamados DJs da literatura que fazem o que vem ganhando notoriedade como “remix literário”, um jogo de copia e cola de vários autores que se transforma numa narrativa (quase) original.

Saulo Pereira Guimarães, por fim, fecha o time de “repórteres-rumeiros” com click de ouro: sua reportagem de texto começa perfilando Christopher “Moot” Poole, um nerd que em 2003, então com 13 anos, cria um fórum virtual para troca de imagens. Nove anos e 951.625.954 posts depois (em abril de 2012) a página vira espaço de contação de assustadoras lendas urbanas na internet.

Parte integrante do programa deste biênio também é o Mapeamento dos Programas de Treinamento das Empresas de Comunicação em 2012, realizado pelos professores contemplados. Já o Dossiê registra o processo dos trabalhos, incluindo o elenco de profissionais que os tornaram possíveis, e os parceiros que apoiaram a empreitada com disposição e vigor. A todos, nosso sincero MUITO OBRIGADO.

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