Possibilidades

O jornalismo em quadrinhos requer um tratamento diferenciado daquele despendido às reportagens tradicionais, a começar pela apuração. “É necessário levantar não somente as informações, mas também os aspectos e as características visuais dos locais, das pessoas e dos fatos relatados. Depois de apurada, a matéria não será redigida, mas roteirizada, o que é um pouco mais complicado.”, explica Aristides Dutra, autor da dissertação Jornalismo em Quadrinhos: A Linguagem Quadrinística como Suporte para Reportagens na Obra de Joe Sacco e Outros Autores.

Esse processo mais lento dificulta a produção de reportagens em quadrinhos em ritmo diário, mas não a impede. “Existe espaço para o jornalismo em quadrinhos nas redações diárias principalmente como reportagem especial. O que é difícil é a possibilidade de se fazer reportagens em quadrinhos longas e detalhadas em ritmo diário”, esclarece Dutra. Segundo ele, o jornalismo do dia a dia utiliza recursos dos quadrinhos através dos boxes de reconstituição de fatos. Muitas vezes classificados como infográfico, eles são frequentemente imagens sequenciais narrativas – ou seja, pequenas histórias em quadrinhos de natureza jornalística.

Não é no jornalismo diário, porém, que o gênero se destaca. A revista trimestral francesa XXI produz uma reportagem em quadrinhos original por edição. Até publicações tradicionais como a revista New Yorker têm investido nos quadrinhos jornalísticos. O trabalho mais ousado foi do jornal diário Libération: em janeiro de 2011, publicou uma edição inteira sem fotos, substituídas por quadrinhos e ilustrações. O motivo para tal empreendimento foi a abertura do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême.