Trajetória

O JQ que conhecemos começou a ser produzido no início da década de 1990, por meio de mãos e olhos apurados do jornalista Joe Sacco. Apesar de 20 anos de história, o gênero ainda não se estabeleceu por completo. “O quadrinho documental está em franca ascensão, mas o quadrinho jornalístico precisa ainda buscar suas metodologias de trabalho. De qualquer forma, vejo com otimismo a quantidade de pessoas que têm estudado e se interessado pelo assunto, além dos novos autores que surgem todos os dias”, explica o professor Muanis.

Entre 1986 e 1992, o cartunista Art Spiegelman publicou a biografia em quadrinhos Maus, que relata a luta do pai para sobreviver em um campo de concentração nazista. Concebido originalmente no formato de revista, foi relançado em livro de dois volumes – o que conferiu a Spiegelman o primeiro Prêmio Pulitzer de jornalismo dado a um quadrinista, em 1992. Outros nomes consagrados vieram na sequência, como Will Eisner (Ao Coração da Tempestade), Joe Kubert (Fax from Sarajevo), Marjane Satrapi (Persépolis) e Didier Lefèvre (O Fotógrafo).

Dan Archer, proprietário do site Archcomix, publica reportagens em quadrinhos com teor político, além de produzir quadrinhos interativos. “É uma nova técnica. Não podemos imprimir as reportagens dele, pois perderíamos um elemento constitutivo do trabalho”, comenta Augusto Paim, admirador da obra do cartunista. O Cartoon Movement é outro site voltado ao JQ, mas com uma proposta colaborativa. Fundado em 2012 pelo jornalista Thomas Loudon e pelo consultor Arend Jan van den Beld, o site conta com mais de cem colaboradores de cerca de 60 países. O projeto mais ousado, porém, é do site japonês News Manga, que encara o desafio de publicar um mangá jornalístico por dia.

Linha do Tempo do JQ

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